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A carne barreada, delícia do litoral paranaense
Ritual açoriano de 300 anos ainda é seguido no preparo do prato
Rodrigo Bueno
Para muitos, viajar pelo Paraná se resume às belezas de Foz do Iguaçu e à organizada Curitiba. Pois vamos um pouco além para descobrir uma delícia típica do estado, o ‘barreado’. A simplicidade no preparo garante que a receita seja mantida, a mais de 300 anos, com os mesmos ingredientes e características.
O prato consiste em uma carne cozida, servida com arroz e farinha de mandioca. O diferencial da combinação é o tempo de cozimento na panela de barro, cerca de vinte horas - o suficiente para desfiar toda a carne.
A origem do barreado é açoriana, atribuída aos portugueses que aportaram no litoral do Paraná no século 18. Os registros mais antigos apresentam a Ilha de Guaraqueçaba, no litoral do estado, como disseminadora da receita. O tempero seguiu junto com outras manifestações culturais para o continente - a principal delas é o fandango, dança de tamancos ao som da rebeca.
Durante os dias de festa do fandango, o prato era reaquecido a cada refeição. O sabor não se perde, pois o caldo formado mantém o tempero da carne.
Disputa
Duas cidades disputam o título de melhor barreado da região: Morretes e Antonina. Entre os restaurantes especializados de Antonina está o Caçarola do Joca, na praça Romildo Gonçalves Pereira, 42. O telefone é (41) 3432-1286. Em Morretes vale conferir Ponte Velha, Madalozo e Casarão. Curitiba também tem um restaurante típico, o Estrela da Terra.
O nome do prato gera discussão. Depois de cozida, as fibras da carne se soltam resultando em uma espécie de sopa. A cor, somada à textura, faz referência ao barro e, portanto, a carne estaria "barreada". A outra vertente defende que, para manter o sabor da carne, é preciso vedar a panela com uma massa de farinha e água, um barro preparado para manter o vapor dentro da panela.
A bebida que acompanha o ‘barreado’ é a cachaça de banana. Uma porção possui cerca de 500 calorias, mas a combinação com a farinha parece deixar o prato mais "pesado". Uma boa dica para fechar o ritual do barreado é um descanso nas praças e praias do litoral paranaense.
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