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A revista Menorah
Menorah é uma revista judaica editada mensalmente e vendida através de assinaturas anuais, ao preço de R$ 160,00 reais ou nas bancas por R$ 15,00. São quarenta e oito páginas coloridas, sobre os mais atuais e diferentes temas da vida judaica, de interesse para judeus e não judeus. Menorah é lida na América Latina, na Europa, na Ásia, no Oriente Médio, na África, na Oceania e nos Estados Unidos.
A Revista se define guerreira e intransigente na luta pela soberania dos judeus em sua condição de seres humanos iguais a quaisquer outros. É uma imprensa judaica independente e livre para criticar e levar o conhecimento real para seus leitores. Menorah nos parece mais uma tentativa de afirmação da comunidade judaica do que uma mídia de informação e entretenimento.
José Gomlevsky, seu fundador, dirigiu a revista Menorah por quarenta anos, ele acreditava no judaísmo e na divulgação das idéias milenares deste povo, o que fazia através da publicação mensal de sua propriedade. Avesso a conflitos e contrário a qualquer tipo de embate, levou por quase meio século, essa revista a milhares de lares judaicos brasileiros, sempre oferecendo informação comunitária e notícias vindas do Estado de Israel. Acompanhado de sua mulher, Lygia Gomlevsky que por todo esse tempo tem assinado a coluna social "By Lygia", transformou Menorah na mais antiga revista judaica publicada no mundo, ainda em circulação.
Após a morte de José Gomlevsky assumiu a direção da Editora Menorah Ltda, o filho único do casal Gomlevsky. Ronaldo Gomlevsky, que está até hoje no comando da revista e atualmente dirige também o programa “Menorah na televisão”.
Tendo iniciado como jornal, transformou-se na revista que hoje todos conhecem e aprenderam a admirar. Para Ronaldo Gomlevsky, uma revista que tenha como objetivo oferecer informações, notícias e reportagens sobre o mundo judeu, precisa, antes de tudo, ser muito bem feita, produzida com o melhor papel, a melhor diagramação, a melhor fotografia, o melhor texto e, sempre, a ventilação oferecida pelas experiências internacionais. Visitas aos quatro continentes em busca de novidades vindas das comunidades judaicas locais são a marca diferencial e registrada da revista Menorah, que já não é mais uma revista carioca judaica, hoje. Passou a ser lida e esperada do Oriente Médio à Austrália, passando por Uruguai, Portugal, Marrocos, Turquia, Grécia e tantos outros países, onde vivem muitos de seus leitores.
A revista é diagramada em estilo moderno, que privilegia a fotografia não apenas como ilustração, mas como parte integrante do texto e da informação. Ela busca oferecer fotos e fatos que façam o leitor se aproximar da verdadeira realidade do mundo judeu. O Estado de Israel, bastante focalizado, tem sido alvo sistemático das buscas de Menorah que "in loco" tem coberto a Intifada, o Knesset (parlamento), seus museus, seus artistas, seus soldados e seu povo.
Dos momentos marcantes de Menorah, destaca-se a entrevista privada oferecida ao diretor geral da revista por Ariel Sharon, conhecido por não dialogar diretamente com repórteres, publicada na revista número 502. O número 505 retratou a viagem da revista pelo Egito, Marrocos, Espanha, Portugal, Grécia e Turquia. O número 522 levou Menorah a Cuba para um surpreendente e excepcional encontro com os judeus cubanos e seus hábitos, mais judaicos do que nunca. Rússia e Ucrânia foram o objeto do número 528, assim como o anti-semitismo na França e a volta dos judeus à Alemanha. A edição da revista 540 traz uma viagem a Israel eterno, uma rota turística em Israel conhecida por poucos: Sinai e Petra na Jordânia. A edição 547 traz uma radiografia dos judeus italianos. E por fim, a edição 552 traz uma viagem à África do Sul, um retrato dos judeus Sul-Africanos, conhecidos como comunidade judaica mais bem organizada no mundo.
No mundo globalizado onde vivemos, Menorah descobriu que apesar do advento da Internet, não pode deixar de estar fisicamente presente onde quer que haja uma comunidade judaica. Cobrir eventos judaicos no entorno da terra é a missão dessa revista que, muito recentemente, trocou seu slogan. De "Novas luzes para um velho povo" para o atual : "Luzes para um novo tempo". E, assim ela vai em direção ao futuro, através da construção consciente do presente, completamente assentados no passado.
Análise da revista Menorah (edição nº 552, Setembro de 2005)
Matérias
Na primeira matéria é dado um panorama da história da África do Sul, desde a chegada dos Bantus, vindos do norte da África em 900 d.c, passando pela colonização inglesa e holandesa, a criação do Congresso Nacional Africano (ANC) em 1912, do qual Nelson Mandela fez parte, o Apartheid e, finalmente, as primeiras eleições democráticas do país em 1994.
Ao final da matéria, um histórico dos judeus na África do Sul. O primeiro a aportar foi o navegador Bartolomeu Dias em 1488, mas foi só em 1652 que os judeus se estabeleceram na região. Eram agricultores ingleses, holandeses e alemães, que já no século XIX formaram a Comunidade Judaica na Cidade do Cabo, a Tikvat Israel (esperança de Israel), liderados pelo inglês Benjamin Norden. Com a descoberta de ouro e diamantes, mais judeus imigraram vindos principalmente da Lituânia, levando ao fortalecimento do judaísmo, fundou-se então, em 1898, a Federação Sionista Sul-Africana.
Os judeus se destacaram, principalmente nos centros urbanos, por introduzir métodos modernos de comércio, com destaque na área têxtil e no mercado de pedras preciosas contribuindo para o crescimento econômico da África do Sul. A comunidade judaica sul-africana não se envolveu com o partido nacional, mas muitos judeus lutaram pela causa negra durante o Apartheid justamente por compreenderem o sentimento de perseguição. Atualmente, a população judaica é formada por 85 mil pessoas, representando 0,5% da população total do país.
As matérias foram divididas por cidades, em cada uma dá-se um histórico da cidade, alguns pontos turísticos, a historia dos judeus naquela comunidade e um panorama das atividades da comunidade judaica na África do Sul, sempre buscando uma política de tolerância à diversidade e fazendo questão de uma integração maior entre todos: judeus e não judeus.
1) Cidade do Cabo (Cape Town) A organização comunitária da Cidade do Cabo é regida pelo Conselho Judaico do Cabo
(SAJBD), funcionando num sistema misto, dividido entre voluntários e profissionais. Segurança, instrução judaica em escolas públicas, mídia, relações públicas, relacionamento com outras religiões, auxílio a carentes, a vítimas de desastres ecológicos, sustentação para instituições comunitárias, bolsas de estudos, atendimento a comunidades rurais e bolsa de emprego são alguns dos serviços sob a responsabilidade do SAJBD.
Há também uma escola comunitária que respeita as condições religiosas de seus alunos e atende também alunos com certa deficiência física. A política de ensino é judaico-ideológica. É a United Hertzlib School, nacionalista, tradicionalista, ortodoxa e sionista, ela tende a 85% dos jovens judeus em idade escolar dessa cidade.
2) Johannesburgo Nesta matéria conta-se, também, um pouco da história da cidade, a mais rica e desenvolvida
do país. Há, como nas outras, um panorama dos judeus de Johannesburgo, que diferente dos da Cidade do Cabo, são mais sérios, compenetrados, voltados para os altos interesses sul-africanos.
A cidade compõe a maior comunidade judaica da África do Sul, com 55 mil membros. Os judeus sul-africanos são organizados através de um sistema de representação comunitária. O Conselho Nacional Sul-africano tem sede em Johannesburgo e é responsável por tratar da organização comunitária das questões relativas à cidadania, da participação judaica na construção da nação e da representação judaica junto à sociedade.
David Saks, diretor do Conselho, conta à revista que a comunidade judaica sul-africana é muito organizada e identificada com Israel, mas está envelhecendo. Os mais jovens imigraram para a Austrália, Estados Unidos, Canadá e Israel.
O Conselho conta também com a Organização das Mulheres Judias Sul-africanas, fundada em 1931, com a finalidade de prestar serviços comunitários, e a União dos Estudantes Judeus da África do Sul, com a participação dos mais jovens.
A matéria mostra ainda os pontos turísticos da cidade e ainda uma breve entrevista com Geoffrey Sifrin, o editor do jornal judaico da cidade, o Jewish Report, que não faz política partidária e nem apóia partidos, defende o regime democrático e edita notícias que interessam aos judeus, ligadas a África do Sul e ao Estado de Israel.
Há ainda em Johannesburgo, a Yeshiva College, a primeira escola judaica ortodoxa do país. O lema da escola é “Amor a Israel e à Tora”. São 900 alunos do maternal ao 2º grau. E a King David High School, fundada em 1948, possui cerca de 2000 alunos. Seu sistema educacional é ortodoxo, mas aceita todos os alunos, mesmo não sendo ortodoxos desde que respeitem o sistema ortodoxo de ensino religioso adotado.
3) Pretória
Nesta matéria, assim como nas outras, dá-se um histórico da cidade, com pontos turísticos e destaca as atividades dos judeus de Pretória. Diz que os judeus desta parte da África são mais calorosos, brincalhões, responsáveis, tradicionais e extremamente ortodoxos. Possuem seu canal de comunicação próprio através da revista Pretoria Jewish Chronicle.
São cerca de 3000 judeus e desde sua fundação em 1867, exercem forte influência econômica na cidade. Em Pretória foi construída uma instituição para proporcionar aos idosos judeus uma qualidade de vida especial, é a Jaffa Casa de Idosos. Foi fundada para a comunidade judaica da região que envelheceu, todos são residentes fixos. Conta com hospital, quartos confortáveis e constantes visitas a teatros, cinema, concertos e uma vasta biblioteca.
4) Durban
Outra cidade da África do Sul que tem sua história descrita, assim como a dos judeus que lá vivem. Os judeus de Durban, segundo a revista, são mais hospitaleiros e comunicativos. Essa cidade conseguiram acomodar uma proeza, que talvez seja única do mundo judeu: os dois rabinos mais conhecidos da cidade, um ortodoxo e outro reformista são melhores amigos e trabalham juntos para o sucesso da comunidade.
Análise
A edição analisada é uma edição especial da revista em comemoração ao Rosh Hashaná, o ano novo judaico. Nela, o diretor da revista Ronaldo Gomlevsky descreve sua visita aos judeus da África do Sul no editorial da revista.
A revista, duas vezes por ano, no Rosh Hashaná e durante o Pessach, faz edições especiais sobre judeus em várias partes do mundo. O país escolhido para essa edição foi à África do Sul, onde visitaram várias comunidades em diferentes cidades, como Cape Town e Pretória.
Observaram a organização, zelo e respeito pelos visitantes dos vários museus da história judaica e dos serviços comunitários oferecidos. Gomlevsky elogia os judeus sul-africanos afirmando que seus vinhos, comida, educação e gentileza são incomparáveis, deixando para trás muitas nações desenvolvidas que não têm o mesmo cuidado.Cabe ressaltar também que as matérias foram divididas em história e singularidades de cada cidade e, separadamente, uma matéria somente sobre os judeus daquela região.
A revista é muito bem organizada: com matérias interessantes, muitas fotos, todas coloridas, papel de boa qualidade e bem diagramada. Ela tem como características que suas matérias não são assinadas e que a comunidade judaica é sempre retratada em todas as matérias. Nesta edição, as matérias foram bem redigidas, possibilitando que não-judeus leiam sem se sentirem deslocados por não entender certos termos. Mas, as propagandas são o contrário, pois são direcionadas exclusivamente para o seu público alvo e, por isso, algumas até escritas em hebraico. Por fim, cabe ressaltar que não há, em nenhum momento, um tom discriminatório em relação aos não-judeus na revista Menorah.
Autores: Adriana Passos Mendonça, Fernanda Moraes Cardozo
Raquel Cristina Danzer e Rebecca de Mattos Barbosa
Trabalho orientado pelo professor Mohammed ElHajji
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