Palestina hoje, há solução?
Abdel Latif Hasan Abdel Latif
Em 1948, com a criação do Estado de Israel, mais de 850 mil palestinos - mais de 2/3 da população - foram expulsos da suas casas. Isso não era efeito colateral da guerra, como a liderança sionista declara, mas fazia parte do plano Daleth de limpeza étnica, como assumem os novos historiadores israelenses.
408 cidades e aldeias palestinas, que representavam 85% do total, foram destruídas para impedir o retorno dos verdadeiros donos e assentar os colonos judeus. A minoria palestina que vive em Israel sofre discriminação constitucional em todas as esferas da vida. São considerados cidadãos de categoria inferior em um país que se define como Estado Judeu e não um Estado de todos os cidadãos.
As autoridades do governo israelense, desde a sua criação, sejam da direita ou “esquerda”, além de confiscar a terra dessa minoria palestina, consideram-na como corpo estranho ou câncer a ser extirpado. Se for levado em conta o que Einstein falou, que o Estado judeu será julgado pela maneira como tratar a minoria árabe, é fácil saber que tipo de julgamento a comunidade internacional deveria fazer.
Em 1967, Israel ocupou o resto da Palestina, Cisjordânia e Gaza, além de grandes terras de outros três países árabes – Síria, Líbano e Egito. Essa guerra não era defensiva, como a propaganda sionista expõe, mas fazia parte do plano de expansão sionista, que a maioria de seus líderes defendeu desde os primórdios do conflito: a Grande Israel.
Em 1993, os palestinos reconheceram o direito de existência do Estado de Israel e o desejo de criar um Estado palestino independente, ao lado do israelense, em apenas 22% da Palestina histórica. Nessa verdadeira rendição, os palestinos renunciaram a 78% de suas terras, em troca de um Estado nos territórios ocupados em 1967.
A liderança sionista, ao invés de aproveitar o momento histórico e iniciar negociações sérias com os palestinos, baseadas nas resoluções da ONU, intensificou o processo de anexação dos territórios ocupados.
Os governos sucessivos de Israel, da direita e da “esquerda”, construíram até hoje 220 assentamentos ilegais nas terras confiscadas dos palestinos, para onde foram transferidos mais de 450 mil colonos judeus, ao arrepio da legislação internacional. As autoridades da ocupação confiscaram mais de 60% da terra da Cisjordânia para construir esses assentamentos e as estradas para uso exclusivo dos colonos judeus. Os palestinos vivem em cidades e aldeias cantões, bantustões completamente controlados pelas forças da ocupação.
Milhares de casas palestinas foram destruídas, mais para dar lugar a novos assentamentos do que para satisfazer questões de segurança. Continuam invadindo o território palestino e, dentro desse território, os invasores sionistas ainda alegam motivos de segurança.
A dinâmica e a ideologia dos assentamentos tornaram-se nos últimos anos a pedra angular da nova entidade israelense. A política da colonização e suas manifestações de violência transcenderam as divisões étnicas e religiosas de sua sociedade para construir um novo israelismo baseado em opressão, colonização, humilhação, ocupação e destruição total dos nativos palestinos. Os colonos reproduzem a Israel de hoje à sua imagem: uma teocracia racista em eterno conflito com sua vizinhança. Esse é o maior obstáculo no caminho da paz e reconciliação no Oriente Médio.
Os colonos e a elite política israelense acreditam na necessidade de realizar uma nova limpeza étnica para a solução do conflito. A criação de um Estado palestino verdadeiramente independente, democrático e laico ao lado de Israel está ficando cada vez mais impossível de se concretizar devido às políticas israelenses nos territórios palestinos ocupados e, principalmente, ao aumento da influência dos colonos em Israel.
Uma opção a ser considerada pelos palestinos e israelenses que lutam contra a ocupação é a luta pela criação de um Estado binacional, onde todos os cidadãos tenham o mesmo direito, independentemente de sua raça, religião ou nacionalidade.
Os sionistas justificam a permanência da ocupação dos territórios palestinos por motivos de segurança. O sistema de apartheid construído nos territórios ocupados é injustificável, sob qualquer ótica.
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