HISTÓRICO
DOS JUDEUS NO BRASIL
O
histórico da relação dos judeus com o Brasil
pode ser entendido como um caso incomparável, pois não
se conhece outro país no qual se tenham eles instalado logo
nas primícias do respectivo povo, ficando-lhe continuamente
associados e participando do seu desenvolvimento econômico e
social.
De
fato, desde o descobrimento do Brasil até a época
presente, os judeus, quase sem intermitência, aberta ou
disfarçadamente, estiveram integrados nos processos de
formação da nacionalidade brasileira.
No
entanto, a historiografia judaica referente ao Brasil não deve
ater-se às fases e aos marcos gerais da evolução
política e social do país, e sim se orientar
essencialmente segundo os fatos e acontecimentos históricos
que tenham repercutido especificamente nas condições de
vida individual e sobretudo coletiva dos judeus.
De
acordo com tal critério, é lícito destacar
quatro grandes ciclos na história dos judeus no Brasil, cada
qual comportando diversas fases de ascensão, consolidação
e declínio: 1 – O
Primeiro Ciclo Português (1500-1630); 2 – O Ciclo Holandês
(1630-1654); 3 – O Segundo Ciclo Português (1654-1822); 4 –
O Ciclo Cosmopolita (1822-1966).
COMUNIDADE
JUDAICA NO RIO DE JANEIRO
A
comunidade judaica do Rio de Janeiro é uma das mais antigas e
a segunda maior do país. A vida religiosa se dá de
forma plural e diversificada com cerca de 30 sinagogas de diversas
correntes religiosas: ortodoxos, conservadores, liberais,
reformistas...
As
escolas judaicas, com cerca de três mil alunos são
responsáveis pela transmissão da história, da
tradição, dos valores e da cultura desse povo. Os
movimentos juvenis completam esta missão, reunindo
semanalmente centenas de pessoas. Clubes e associações
culturais promovem eventos que mantêm os judeus sempre ativos.
Entidades assistenciais são responsáveis pelo
atendimento a famílias carentes, através de apoio
social e material, permitindo uma vida digna a toda a população
judaica. Além disso, pequenas comunidades no interior do
estado também estão se fortalecendo.
Assim,
a vida judaica no Rio de Janeiro se dá de forma completa,
cumprindo todos seus preceitos e garantindo a continuidade da
identidade comunitária das futuras gerações. A
Federação Israelita, fundada em 1947, congrega dezenas
de entidades e tem atividade destacada de representatividade política
da comunidade judaica junto à sociedade maior.
POPULAÇÃO
De
acordo com o IBGE, há cerca de 25 mil judeus no Rio de
Janeiro. No entanto, segundo informações obtidas no
site
da FIERJ, há, atualmente, de 30 a 35 mil judeus residindo no
estado do Rio de Janeiro.
O
primeiro Recenseamento Geral da população brasileira
ocorreu em 1872. A partir de 1890, os Censos tornaram-se decenais,
sendo realizados em anos de final zero. Não foram realizadas
as operações de 1910, 1930 e 1990 (esta última
substituída pela de 1991). Na cidade do Rio de Janeiro, então
capital da República, foi realizado um Censo em 1906, como
reposição aos resultados cancelados, para esta cidade,
do Censo de 1900. A coleta dos dados de religião, entretanto,
não acompanhou a continuidade destas pesquisas desde o início
do século.
A
regularidade iniciada com o Censo de 1940 foi quebrada com o Censo de
1970, ocasião em que a investigação sobre o
quesito religião foi resumida a quatro grupos principais. As
primeiras estatísticas oficiais, da quantidade de judeus
residindo no Rio de Janeiro, indicam a presença de 202 pessoas
na Capital, em 1890, e outras 25 no restante do atual Estado, em
1900.
Não
existem estimativas para o período posterior à 2ª
Guerra. Mas, como ressalta Veltman (1996), “após a
independência de Israel, em 1948, e logo depois da Guerra de
Suez, em 1956, São Paulo recebeu novas levas de imigrantes
sefaraditas e orientais, os quais, fugindo das perseguições
anti-sionistas do mundo árabe, vieram aqui se refugiar (...)”.
A mesma corrente foi menos sentida no Rio de Janeiro.
Emigração
específica de judeus (aliah) – Segundo dados oficiais
israelenses (Schmeltz & Pérgola, 1986), mais de 68 mil
imigrantes latino-americanos chegaram a Israel entre 1948 e 1983,
dentre os quais 8.400 eram do Brasil. Segundo os autores, a emigração
para Israel tornou-se, gradualmente, o principal fator das migrações
internacionais da população judaica latino-americana.
Chamam a atenção, ainda, que “a partida de um
segmento importante de indivíduos jovens, melhor educados e
mais motivados para o judaísmo, representa uma séria
erosão qualitativa no balanço sócio-demográfico
e de identificação das comunidades judaicas
latino-americanas”.
Emigração
da população fluminense – Após os intensos
fluxos migratórios, observados até a década de
80, o Estado do Rio de Janeiro passou a vivenciar o processo inverso
nos últimos 20 anos. Estima-se que, a partir de 1980, mais de
700 mil pessoas teriam deixado o Estado, pelos motivos mais diversos:
falta de oportunidade de emprego, transferência de sedes de
empresas importantes para outros Estados (especialmente São
Paulo), deterioração da qualidade de vida, violência.
Entre estes emigrantes, poderia estar parte da população
judaica que foi perdida no mesmo período.
Assimilação
e perda da identidade judaica – Diversos exemplos de alienação
podem ser observados no grupo judeu, sem conversão para outra
religião, como combinação de fortes tendências
assimilativas e indiferença religiosa.
Como
ressalta Schmeltz (1972), “há uma relação
direta entre muitos casamentos fora do grupo e: a) a retirada formal
ou informal do cônjuge judeu; b) a educação das
crianças como não judias. Todos esses fenômenos
têm implicações no futuro das populações
judias. Sob as condições prevalentes, seu impacto
quantitativo é provavelmente significativo, embora sua atual
extensão possa variar consideravelmente entre uma comunidade e
outra ”.
PEQUENAS
COMUNIDADES NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Assim, o Estado do Rio
de Janeiro foi dividido em 5 regiões:
A Comissão foi
criada com objetivos bem determinados:
1. Estimular a
interação entre os membros de cada uma das comunidades
menores. Para isso, são realizados eventos que possam
motivá-los;
2. Ser o elo entre
estas e a comunidade maior, fomentando suas diferentes interações.
Neste sentido, o
trabalho foi divido em três etapas:
A) Levantamento
preliminar destas comunidades, com nomes, endereços e idade de
todos os seus membros acima de 15 anos;
B)
Promover, no início, uma reunião, com cada comunidade,
avaliando suas reivindicações;
C) Verificar as
atividades que mais possam interessá-los e procurar
viabilizá-las. Nas comunidades com maior número de
membros procura-se seguir uma norma, também verificada em São
Paulo, que é ouvir "em separado" as reivindicações
dos seus líderes e da comunidade pois nem sempre os interesses
são comuns. Entretanto é importante que as decisões
finais sejam exclusivas de cada comunidade e cabe a Comissão
apenas atuar como elo mediador.
Campos
dos Goytacazes
Sociedade
União Israelita de Campos
Presidente:
Carlos
Alexandre Blochtein
Tel.:
(22) 9981-3051
Petrópolis
Congregação
Judaica P’nei Or
Presidente:
Leon Yallouz
Tel.:
(24) 2231-7644
Nova
Friburgo
Associação
Judaica de Nova Friburgo
Presidente:
Fany Zissu
Tel.:
(22) 2522-7406
Teresópolis
Clube
Shalom
Tel.:
(22) 2642-6919
Autores: Camila de Souza, Eduardo de Morais, Juliana Ennes e Leandro Fernandes (2003). Trabalho orientado e coordenado pelo professor Mohammed ElHajji.