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Africana achava que Santos fosse Londres
 

Refugiada acabou no Brasil por engano. Por Sandra Silva, 6/11/2005

 

Alguns refugiados que hoje vivem no Brasil vieram para cá pensando tratar-se de outro país. Victorine Katjuongua Riwa, 25, pagou US$ 1.500 para deixar Moçambique e seguir para Londres, no ano passado. Depois de mais de três semanas de viagem em um barco, acompanhada de seu filho e marido, Victorine desembarcou no porto de Santos, achando que havia chegado à capital britânica. "Eles disseram que ali era Londres e nós acreditamos. A viagem foi horrível e meu filho ficou doente." Eles foram ajudados por uma igreja local e decidiram ir para São Paulo. Hoje, Victorine trabalha em uma lan house na Freguesia do Ó (zona norte da capital paulista), e seu marido é mecânico. "É uma nova vida. É seguro morar aqui", disse.


Victorine nasceu no Burundi (país vizinho de Ruanda e Tanzânia) e viu vários amigos e parentes serem mortos em uma guerra civil. Atualmente o governo local tenta desarmar os rebeldes, após 12 anos de luta e um saldo de 300 mil mortos. A possibilidade de continuar os estudos e crescer profissionalmente longe de guerras ou de conflitos sociais também motiva a saída do país de origem. François Pearo Nayangi, 23, saiu do Congo (ex-Zaire) há três meses para estudar no Brasil. Ele veio para São Paulo e sonha em trabalhar na indústria mecânica. No Congo, trabalhava em uma loja. Nayangi fala português, francês e inglês e deixou sua família contente quando decidiu viajar para tentar uma nova vida aqui. "Alguns amigos meus estão nos EUA, mas decidi vir para o Brasil porque é mais barato."


Ele gastou US$ 2.000 com suas despesas de viagem de avião. Morou por alguns meses na Casa do Migrante, no Glicério (centro de SP), e agora mora no Jardim Japão (zona norte). Antes de vir para o Brasil, morou também na África do Sul. Nayangi esperava mais apoio e oportunidades. "Não gosto de viver aqui." Em seu país de origem foi iniciado um movimento de reintegração, após o anúncio do fim da guerra civil em maio.

 

Fonte: Folha de S. Paulo

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