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Imigrantes
bolivianos escravizados
Da Agência
ADITAL, 10/4/2006
O incêndio
numa fábrica têxtil na Argentina, onde morreram seis
bolivianos, fez com que o governo boliviano iniciasse uma
investigação sobre a situação destes imigrantes. Os tópicos a
tratar serão a não documentação e exploração a que são
submetidos. No último fim de semana, uma missão governamental
viajou para a Argentina para se reunir com autoridades do país
vizinho e representantes dos bolivianos.
O governo
boliviano, segundo declarações do Ministério das Relações
Exteriores à imprensa, considera que quase todos os bolivianos
são explorados, mas necessitam trabalhar na Argentina. Estes
imigrantes protagonizaram manifestações nos últimos dias em
Buenos Aires, a favor e outros contra o trabalho em firmas que
descumprem leis trabalhistas e normas de segurança. Ao redor de
2.500 bolivianos se mobilizaram na sexta-feira, 07, até a Praça
de Maio, em frente à Casa do Governo de Buenos Aires, para
protestar contra o fechamento das firmas clandestinas.
Esta
polêmica foi desatada depois que seis cidadãos bolivianos, entre
eles quatro crianças, morreram num
incêndio no último dia 30 de março, que arrasou uma firma têxtil no
centro geográfico da cidade.
Três de
cada quatro bolivianos que vivem na
Capital e na região metropolitana trabalham
na economia informal, muitos deles em firmas
vinculadas ao vestuário. As peças são comercializadas em
feiras e na rua.
A morte dos
bolivianos revelou o
drama que centenas de imigrantes sofrem ao
trabalhar em condições desumanas, reconheceram fontes oficiais.
À raiz deste fato, o município de Buenos Aires colocou em marcha
um
plano de
inspeções contra o trabalho escravo, que, até
agora, supôs o fechamento de mais de 40 firmas de costura, cujos
trabalhadores eram, em sua maioria, estrangeiros não
documentados.
Se calcula que
160 das 1.600 firmas que empregam bolivianos são fábricas
têxteis clandestinas, nas quais há cerca de 4.000
pessoas dessa nacionalidade em condições de
escravidão.
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