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Cerejeiras celebram festa japonesa e dão cor à
paisagem de SP
Paulistanos poderão assistir à florada nas próximas duas semanas
no parque do Carmo; uma vez florida, árvore perde logo as
pétalas sob a ação dos ventos. Por Roberto de Oliveira, da
Revista da Folha, 7/8/2006
Parecia um
parque de Kyoto (Japão). Crianças, jovens, adultos e idosos
esticavam suas esteiras, sacavam seus obentos (marmita) e
mergulhavam por horas no "hanami", uma espécie de ritual de
contemplação das cerejeiras em flor. Mas o cenário em questão era em Itaquera (zona leste de São Paulo). Numa
cidade tão carente de área verde e em uma das regiões mais
áridas da capital, o parque do Carmo recebeu ontem cerca de
3.000 pessoas, segundo os organizadores, entre japoneses,
descendentes e brasileiros, atrás da florada da 28ª Festa das
Cerejeiras.
O Carmo, um
dos maiores parques da cidade, abriga um jardim com cerca de
1.500 cerejeiras de quatro variedades, numa área de 48 mil m2.
Conhecida como "sakura" no Japão, a cerejeira é considerada
sagrada e símbolo daquele país. Em São Paulo, a variedade que encontra-se carregada de flores é a "yukiwari", de
tom rosa-claro. Patrício Yoshio Yoshioka, 65, assistente-técnico
do jardim, diz que os paulistanos poderão observar a florada
desse tipo de árvore apenas durante as próximas duas semanas.
Neste curto período de tempo, ela vai perdendo as pétalas
lentamente sob a ação dos ventos.
"Pena que
essa beleza dure tão pouco", disse a dona de casa Rosa Ariga,
60, ao lado de um grupo de amigos, que fazia piquenique debaixo
de uma cerejeira. "É um espetáculo que justifica a gente ficar
aqui apreciando e relaxando por horas." A primeira florada do
jardim das cerejeiras do parque do Carmo aconteceu em 1978,
quatro anos após o início do cultivo, mas somente em 1981 a
festa foi aberta ao público.
Segundo
Yoshioka, a cerejeira é uma árvore rústica que quase não dá
trabalho. "Para ela ter um bom desenvolvimento, porém, é
necessário adubar e podar ao menos uma vez por ano." As mudas
pequenas, geralmente com cerca de 50 cm de comprimento, demoram
entre três e quatro anos para dar a primeira florada, explica
Yoshioka. "Infelizmente, as flores só permanecem por duas ou
três semanas, dependendo da variedade."
Organizada
pela Federação de Sakura e Ipê do Brasil em conjunto com outras
14 associações nipo-brasileiras da zona leste, a 28ª Festa das
Cerejeiras contou ainda com show de danças folclóricas durante
toda a tarde ontem e barracas de comida típica japonesa. Segundo
Koniti Wada, secretário da federação, todo trabalho é
voluntário. O dinheiro arrecado no evento será aplicado na
conservação do jardim, com o objetivo de garantir novas floradas
de cerejeiras no ano que vem aos paulistanos.
Fonte:
Revista da Folha
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