Migrações

Clipping

Direitos dos migrantes ainda são violados na Europa

Reunidas no Fórum Social Europeu 2004, organizações sociais e sindicatos pretendem pressionar governos para que ratifiquem a Convenção Internacional para a Proteção dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes e de suas Famílias. Por Iracema Nascimento, da Agência Carta Maior, 16/10/2004

Londres – Em uma Europa cada vez mais dura com seus migrantes, racismo, discriminação e políticas de migração estão entre os principais temas do 3o Fórum Social Europeu, que começou nesta quinta-feira (14) em Londres, na Inglaterra. Seguindo o tom adotado desde a segunda edição do Fórum Social Mundial, realizada em 2002 em Porto Alegre – quando o encontro, além de apontar as causas e consequências da globalização neoliberal passou a mostrar soluções viáveis para um outro mundo possível – várias plenárias e seminários desta sexta relataram experiências européias bem-sucedidas na luta pelos Direitos Humanos dos migrantes.

Uma das principais vitórias foi conseguida por um grupo de mulheres que trabalhavam na rede hoteleira Accor, na França. Vindas de ex-colônias francesas na África, na “metrópole” elas encontraram empregos precários que pagavam salários irrisórios, já que a maioria delas não sabia escrever e, portanto, estava mais vulnerável à exploração. Organizadas, de março de 2002 a fevereiro de 2003, aquelas mulheres enfrentaram prisões e ameaças, mas levaram a cabo uma greve que culminou em um acordo garantindo melhores salários e condições de trabalho, além do direito de permanecerem na França.

Na Grã-Bretanha, uma campanha desenvolvida pelo Sindicato dos Servidores Públicos conferiu um pouco mais de dignidade aos trabalhadores que fazem os serviços pesados nos hospitais – a maioria brasileiros, colombianos, peruanos, iugoslavos, ganenses. E no ano passado, graças ao trabalho da Telco, uma organização que reúne comunidades da região leste de Londres, os salários de trabalhadores migrantes em hospitais da área aumentaram de 4,10 para 5,35 libras por hora (uma libra equivale a cerca de seis reais).

Segundo um levantamento recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT), aproximadamente 175 milhões de pessoas, ou seja, 3% da população mundial, vivem e trabalham fora de seus países de origem. Desses, 56 milhões estão na Europa. Em alguns países europeus, como Luxemburgo e Suíça, eles chegam a representar 25% da força de trabalho. Isso, no entanto, não se reflete na garantia de direitos concedidos normalmente aos cidadãos naturais dos países.

Para tentar minimizar o problema, os movimentos de defesa de Direitos Humanos apostam numa convenção internacional ainda pouco aderida pelos países membros das Nações Unidas. Adotada pela Assembléia Geral da ONU em 18 de dezembro de 1990, a Convenção Internacional para a Proteção dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes e de suas Famílias foi assinada somente por 14 países e ratificada por outros 27 - assinar uma convenção da ONU demonstra adesão à mesma; já a ratificação significa que o país passou a adotá-la, incorporando-a em suas leis.

O documento esperou treze anos para entrar em vigor, pois foi somente em julho de 2003 que atingiu o patamar mínimo de 20 ratificações. As organizações reunidas em Londres consideram estratégico pressionar os governos do continente para que, o quanto antes, se comprometam internacionalmente com os direitos dos migrantes. Na Europa, apenas Bósnia e Herzegovina e Turquia ratificaram a convenção. Vários paises latino-americanos estão entre os signatários ou ratificantes. O Brasil ainda está fora desta lista.

Para saber mais, visite a página do Comitê Internacional da Campanha para a Ratificação da Convenção dos Direitos dos Migrantes: www.migrantsrights.org 

Fonte: Agência Carta Maior

Link relacionado

voltar para o canal Mosaico

voltar para HOME

 



Etni-cidade