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A imigração no
Brasil
A história da imigração japonesa no país é cheia de obstáculos.
Atraídos pelo sonho de uma vida melhor, esses imigrantes tiveram
de aprender a conviver com uma cultura totalmente diferente da
sua e superar várias dificuldades, sobretudo o preconceito.
A vinda de imigrantes japoneses para o Brasil foi motivada por
interesses dos dois países: o Brasil necessitava de mão-de-obra
para trabalhar nas fazendas de café, principalmente em São Paulo
e no norte do Paraná, e o Japão precisava aliviar a tensão
social no país, causada por seu alto índice demográfico.
Para conseguir isso, o governo japonês adotou uma política de
emigração desde o princípio de sua modernização, iniciada na era
Meiji (1868). Apesar de não serem favoráveis à imigração, em
1906 os governos do Japão e do Estado de São Paulo levaram
adiante esse processo.
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O vapor Kasato-Maru ancorado no porto de Santos
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No navio Kasato-Maru — cujo capitão era o inglês A. G. Stevens –
estava um grupo de japoneses que chegaram ao porto de Santos no
dia 18 de junho de 1908. Dessa data até 1921, o Estado de São
Paulo e os fazendeiros de café subsidiaram as passagens dos
imigrantes, que deveriam cumprir um contrato de dois a três anos
trabalhando nas lavouras de café.
A bordo do Kasato-Maru estava um povo que trazia, além da
bagagem, uma cultura milenar. Baseadas nos relatos de japoneses
que haviam sido enviados ao Brasil antes do início da imigração,
essas pessoas esperavam enriquecer em pouco tempo e voltar para
sua pátria, já que as oportunidades oferecidas nas lavouras de
café pareciam promissoras. Mas os imigrantes que desembarcaram
no Porto de Santos naquela manhã de 1908 descobriram outra
realidade; eles foram enviados para trabalhar nos cafezais
paulistas, muitas vezes sem condições adequadas de higiene. Aos
poucos, essas pessoas perceberam que somente com união
conseguiriam conquistar sua independência.
Os japoneses então começaram a criar parcerias e cooperativas, a
fim de defender seus interesses. Além disso, adquiriram pequenas
terras, em que desenvolveram técnicas de produção agrícola.
Políticas de Estado
A situação econômica do Japão piorou muito após o fim da
Primeira Guerra Mundial, principalmente nas áreas rurais. Nos
EUA, principal país procurado pelos imigrantes japoneses, o
movimento contra a entrada dos orientais se intensificou e, em
1924, foi promulgada uma lei de imigração que proibia a entrada
dos japoneses no país.
A partir de 1917, o governo japonês coordenou a fusão de
diversas empresas particulares de emigração e fundou a estatal
Kaigai Kôgyô Kabushiki Kaisha, que passou a subsidiar as
passagens dos imigrantes. Por causa da impossibilidade de acesso
dessas pessoas aos EUA, esses recursos passaram a ser destinados
às viagens para o Brasil. Entre 1928 e 1935, ingressaram no país
108.258 japoneses, ou seja, 57% dos 190.000 que imigraram no
período anterior à Segunda Guerra Mundial.
Mas também no Brasil começaram a surgir movimentos contrários à
entrada de japoneses. Em 1922, foi criado um projeto de lei que
proibia a entrada de negros no país e restringia a de orientais,
mas essa lei não entrou em vigor. No entanto, em 1934, foi
aprovada uma emenda constitucional que limitava a entrada de
imigrantes estrangeiros para 2% do total de pessoas que
ingressaram no país nos últimos 50 anos. Essa emenda foi
incorporada à Constituição de 1934, ocasionando queda nos
índices de imigração a partir de 1935.
Segundo Jhony Arai conta em seu livro, essa trajetória dos
japoneses não foi de fato nada fácil. Conhecemos todos os tipos
de preconceitos que os negros sofrem, mas a história da
comunidade nipônica no Brasil é pouco divulgada. Assim como
todos os colonos estrangeiros, eles sofreram muito com as
péssimas condições de vida no campo e a posterior ida para a
cidade. O conflito cultural é abordado com os personagens - no
total quinze. O fenômeno dekassegui - como os
descendentes denominam brasileiros de origem japonesa - também é
mostrado como ponto de identidade nacional.
Preconceito e reconciliação
Depois da Segunda Guerra Mundial, a imigração japonesa no Brasil
esteve praticamente paralisada, atrapalhando a já difícil
integração entre brasileiros e nipônicos. Vários decretos foram
instituídos, proibindo o ensino da língua japonesa no país, e
descendentes de japoneses foram obrigados a portar salvo-conduto
para que pudessem transitar pelo país. Entre 1940 e 1950, apenas
1,5 mil japoneses imigraram para o território brasileiro.
Na época, os mais radicais diziam que a imigração japonesa
integrava um plano do governo do Japão de “subjugar o mundo” por
meio de agentes infiltrados em diversos países. E alguns jornais
lamentavam a “invasão amarela” e os “males irreparáveis causados
pela imigração japonesa”.
O fim da Segunda Guerra marcou o início da reconciliação entre
brasileiros e japoneses, e o perfil do imigrante japonês se
modificou. Os nikkeis,
como são chamados os primeiros imigrantes que vieram ao Brasil,
deixaram de ser mão-de-obra barata e, por exigência de acordos
bilaterais, passaram a ter acesso às escolas. A partir da década
de 60, famílias japonesas começaram a administrar seus próprios
negócios. Os homens trabalhavam como feirantes, quitandeiros e
tintureiros, e as mulheres, como costureiras e em
salões-de-beleza.
Na década de 70, já não era tão estranha a convivência entre as
culturas japonesa e brasileira, e o número de casamentos entre
etnias diferentes aumentou no país. Nessa época, o Japão se
recuperou da crise econômica e passou ocupar um papel de
destaque no cenário mundial. Hoje, o Brasil abriga a maior
população japonesa fora do Japão.
Fontes:
www.nippobrasil.com.br
www.educacional.com.br
ARAI, Jhony. Viajantes do Sol Nascente. Ed. Garçoni.
Autora: Clarissa toscano de Britto Dias (2005).
Trabalho orientado e coordenado pelo professor Mohammed ElHajji.
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