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Os Libaneses no Rio de Janeiro
Os primeiros sírios e libaneses começaram a chegar ao Brasil ainda nos anos setenta do século XIX (diz-se, no entanto, que alguns já viviam no Brasil desde a época colonial, uma vez que Portugal mantinha relações comerciais com a Síria). Eram em sua maioria cristãos. Posteriormente, no início do século XX, começaram a chegar também muçulmanos. Apesar da imprecisão das estatísticas, uma vez que esses imigrantes eram classificados como turcos, turcos-árabes, turcos-asiáticos, sírios ou libaneses, verifica-se até por volta de 1985 modestos contingentes. Daí em diante, então, o fluxo imigratório aumentou para, a partir de 1903, crescer rapidamente até o início da Primeira Guerra Mundial. O ano de 1913 registrou o número máximo de 11.101 imigrantes sírio-libaneses no Brasil. A imigração interrompeu-se durante o conflito, mas voltou a se estabilizar nos anos vinte, quando apresentavam-se cinco mil entradas anuais. A partir de então, a depressão e o sistema de quotas adotado pelo governo brasileiro colocaram o movimento em níveis baixos.
É interessante notar que, até 1908, esses imigrantes não eram discriminados pelos registros imigratórios, sendo colocados apenas em "outras nacionalidades". Além disso, outro dado importante é a espontaneidade da imigração árabe, sem nenhuma participação direta do governo ou outras forças.
Essa imigração começou no final do século XIX e se deu de forma intensa devido ao período de conflitos políticos e econômicos causados pelo domínio do Império Otomano na região do Oriente Médio. A pressão e o despotismo dos dominantes turcos foram fatores primordiais. Muitos desses imigrantes tinham o objetivo de chegar aos Estados Unidos, destino principal da imigração árabe, mas acabavam vindo para o Brasil ou Argentina enganados pelas companhias de navegação. Afinal, tudo era chamado de "América".
Nas primeiras levas, o imigrante sírio-libanês não considerava definitiva sua vinda para o Brasil. Desejava acumular riquezas aqui para poder retornar a seu país ou para enviar a parentes em sua terra natal.
Ao contrário da maioria dos imigrantes de outras nacionalidades, os libaneses que vieram para o Brasil não buscavam as fábricas ou as propriedades agrícolas. Dedicaram-se especificamente ao comércio e às pequenas indústrias. Quando chegaram, já existiam mascates portugueses e italianos, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. Entretanto, a mascateação se tornou uma marca registrada da imigração árabe.
Nos primeiros anos de atividade, os mascates, em visita às cidades interioranas e principalmente às fazendas de café, levavam apenas miudezas e bijuterias. Mas com o tempo e o aumento do capital, começaram também a oferecer tecidos, lençóis, roupas prontas dentre outros artigos. Conforme acumulavam os ganhos, contratavam um ajudante ou compravam uma carroça. O passo seguinte era estabelecer uma casa comercial e, por último, a indústria. Os colegas e parentes observavam esse costume e concluíam que realmente a situação do sujeito e da família havia mudado para melhor. A partir daí, criava-se esperança e expectativa em relação à "terra nova", e o número de imigrantes aumentava.
Assim, uma característica básica da colônia sírio-libanesa no Brasil é sua distribuição ao longo de todo o território nacional. Como começavam como mascates, estendiam suas rotas a paragens longínquas, pouco acessíveis pela rede de transporte da época.
Porém, um foco importante de concentração era a cidade do Rio de Janeiro - até 1960, capital federal -, principalmente nas adjacências da Rua da Alfândega, Senhor dos Passos e Buenos Aires. Além de ser por onde os imigrantes desembarcavam após sua chegada no país (porto da Praça Mauá), o Rio de Janeiro se tornou um ótimo lugar para o desenvolvimento de casas comerciais. Até hoje é possível verificar essa concentração através do SAARA (Sociedade de Amigos e Adjacentes da Rua da Alfândega), uma verdadeira ilha árabe no centro da cidade. Lá os imigrantes sírios e libaneses encontraram um ambiente perfeito para se estabilizarem. Suas lojas são semelhantes a bazares árabes e a maneira de se vender é bastante peculiar, principalmente por ser muito utilizada a barganha.
Com o objetivo de manter esses imigrantes unidos e de estimular as atividades culturais, igrejas, escolas e clubes foram abertos no Rio de Janeiro, como a Igreja Maronita Nossa Senhora do Líbano, na Tijuca, e o Clube Monte Líbano, na Lagoa. Além disso, foi fundada a Escola Cedro do Líbano, em 1935, voltada para a educação desses imigrantes e o Hospital Sírio-Libanês, também na Tijuca.
Hoje vivem no Brasil mais de 6 milhões de descendentes de libaneses. Este número é maior até mesmo que a própria população do Líbano. Apesar de terem se adaptado muito bem ao país, é impossível não ver que muitos hábitos foram mantidos, principalmente pelo fato dos libaneses formarem uma comunidade bastante "fechada".
Autores: Burno V.
Serman e Luisa Uller.
Trabalho orientado e coordenado pelo professor Mohammed ElHajji.
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