|
|
|
Choques da
Civilização |
Análise |
Antes do
outono
O capítulo apresenta o quão próximos e ao mesmo tempo
distantes estão de nós os eventos que formaram o século vinte.
Nesta parte do livro, Daniel Patrick Moynihan trata mais
especificamente de casos específicos de conflitos ocorridos no
século passado, explicitando as questões étnicas que permearam
os mesmos. O autor entra em detalhes em certos exemplos e o
texto fala com citações de outros trabalhos ou dos próprios
trabalhos prévios dele neste assunto.
Ele focaliza essencialmente na etnicidade, identidade étnica e
a persistência e predominância de lealdades étnicas (ao invés
de lealdades de classe). Moynihan tenta trazer luz às
dificuldades étnicas que infestaram o mundo na época da
publicação do livro nos anos noventa cavando algumas das
origens deste problema.
Oferecendo uma introdução aos problemas de etnicidade em
políticas internacionais, Moynihan fala da questão do Iraque,
que teve um novo regime instalado em 1921, e das
características étnicas que permeiam o país: a existência dos
curdos, xiitas e judeus, além dos assírios.
Moynihan menciona a harmonia multiétnica geral de certas
comunidades pré-nacionalistas, por exemplo na Europa Central.
A partir daí, discute bastante o caso específico da Romênia.
Para tal intento, cita o professor de História Solomon F.
Bloom, autor de “The World of Nations: A Study of the National
Implications in the Work of Karl Marx” (1941), publicado no “Commentary”,
em um quase relato lírico de sua infância e juventude em uma
pequena cidade no norte da velha Romênia.
Este texto autobiográfico ilumina, segundo o próprio autor, o
processo pelo qual o princípio de autodeterminação nacional,
depois da Primeira Guerra Mundial, acabou com a harmoniosa
vivência entre pessoas variadas dos Velhos impérios da Áustria
e da Turquia, e os deixaram os racistas de hoje.
Não é surpreendente, então, que o estouro de euforia que cerca
o outono de Comunismo em 1989 deveria ter sido tão curto. Uma
resposta mais complicada envolve o ressurgimento súbito,
depois daquele outono, de nacionalismo e etnicidade.
Ainda estarrecidos pelos eventos do século vinte, os europeus
parecem quase avessos à História da era precedente. Para os
americanos, existe um processo diferente. Eles são, de acordo
com Moynihan, possuídos por uma necessidade positiva de
acreditar que a Europa de então era cercada por uma tirania
implacável imposta com singular vício sobre as minorias que
segundo Bloom viviam juntos em relativa harmonia e sinergia.
No verão de 1991, Isaiah Berlin, um grande filósofo britânico
afirmou "foi o pior século que a Europa sempre teve. Pior, eu
suspeito, até mesmo que os dias do Huns". E por que? Porque "o
nosso nacionalismo da idade moderna não é ressurgente; ele
nunca morreu. Nem o Racismo. Eles são os movimentos mais
poderosos no mundo de hoje cortando muitos sistemas sociais".
Ele terminou: "Eu estou alegre por ser tão velho quanto eu sou
".
voltar para o canal Coordenadas
voltar
para HOME
|