Por Andreia Nobre, de Lisboa, para o FazendoMedia em
22/2/2006
A nova Lei da Nacionalidade
portuguesa foi aprovada nesta última quinta-feira, dia 16 de
fevereiro. O projeto para alterar esta lei foi apresentado pelo
governo e pela oposição em outubro de 2005, e visa facilitar a
concessão da nacionalidade portuguesa aos estrangeiros
residentes no país. Atualmente, calcula-se que existam mais de
30 mil imigrantes brasileiros residindo no país, a maior
nacionalidade depois dos angolanos. Portugal também possui uma
vasta comunidade de cabo-verdianos e ucranianos.
O projeto de lei agora aprovado
vai permitir ainda que os netos de portugueses nascidos no
estrangeiro possam adquirir a nacionalidade portuguesa. Até
agora, só podiam tornar-se portugueses os filhos dos emigrantes,
mas se o pretendente à cidadania fosse filho de uma cidadã
portuguesa, casada com um estrangeiro, não teria direito à
cidadania portuguesa.
Benefício para
imigrantes em Portugal
A medida vai beneficiar, sobretudo, os imigrantes que residam em
território português. A atribuição da nacionalidade portuguesa
será concedida essencialmente a imigrantes de terceira geração,
desde que um dos pais tenha nascido em Portugal. Concede
igualmente a nacionalidade portuguesa a imigrantes de segunda
geração, desde que o progenitor se encontre em situação legal de
residência há pelo menos cinco anos no país. Já as crianças
nascidas em território português e que tenham concluído o
primeiro ciclo do Ensino Básico terão direito imediato à
nacionalidade portuguesa.
Após as notícias sobre a
aprovação da nova lei, várias associações de imigrantes
contactadas pela agência de notícias portuguesa Lusa
declararam a sua insatisfação pelo diploma, que não baseou-se no
critério "jus soli" para a atribuição da nacionalidade. Segundo
este critério, os filhos de estrangeiros nascidos em Portugal
devem ser portugueses, independentemente do estatuto legal dos
pais.
Lei é insuficiente
Os dirigentes de Associações de imigrantes contactados pela
Lusa afirmaram que esta lei ainda é muito restritiva e vai
apenas beneficiar os descendentes da terceira geração de
imigrantes. Muitos afirmam que faltou coragem para aprovar a lei
sob o critério "jus soli" e que os problemas da grande massa
imigrante que se encontra em Portugal ainda vai levar tempo para
ser resolvido.
Os imigrantes residentes em
Portugal enfrentam diversas dificuldades para se legalizarem e
obterem uma série de direitos. No entanto, órgãos como o ACIME
(Alto Comissariado para as Minorias Éticas) afirmam que o país
está envelhecendo e que precisará da vinda de cerca de 200 mil
imigrantes por ano para repor a sua força de trabalho.