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A vida sem conflito
Por Rebeca Moraes e Danielle Sanches, da Faculdade Cásper Libero, 23/8/2004

A imprensa mundial aumenta cada vez mais a cobertura dos conflitos no Oriente Médio. Mas as publicações da comunidade árabe de São Paulo escolheram outro caminho: retratar suas festas e eventos religiosos. “É uma maneira de isenção da própria comunidade, que não quer sofrer discriminação ou se envolver em brigas”, explica Maria Antônia Olímpio, diretora administrativa da revista Al Urubat, publicada pela Sociedade Beneficente Muçulmana de São Paulo, uma das mais antigas e importantes associações do meio árabe paulistano.

A revista surgiu há 70 anos, como um jornal que tratava de questões religiosas. Hoje, no formato de revista bimestral, com tiragem de 5.000 exemplares, aborda a vida social da comunidade, embora ainda fale sobre a religião muçulmana, lembrando datas importantes do Islã e sua história. “Os pais de origem árabe se preocupam muito que seus filhos se casem com membros comunidade e se mantenham longe do ilícito”, diz Maria Antônia. “Quando queremos saber notícias sobre os conflitos, ligamos a TV e vemos direto de um canal árabe, que tem uma visão bem diferente do que é mostrado pelos canais americanos”, emenda Munir Awad, diretor geral da revista, referindo-se às redes veiculadas a cabo. Até a Al Jazeera pode ser sintonizada, via antena parabólica, com um decodificador específico, ou através de operadoras de TV paga.

A maioria dos árabes radicados no Brasil vieram da Síria e do Líbano, regiões que hoje gozam de relativa paz. Por terem a mesma origem dos povos envolvidos nas guerras do Oriente, sofrem e rezam por essas pessoas. “Mas os membros da comunidade estão aqui há 50 anos, se casaram, têm filhos, netos, uma empresa bem sucedida, uma vida nova longe das guerras”, argumenta Maria Antônia.

Postura semelhante tem Micaela Fajuri, diretora editorial da revista Chams, outra publicação paulistana, fundada há 14 anos e com tiragem de 10.000 exemplares por mês. Também voltada à comunidade de idioma árabe no Brasil, fala de outras religiões, como aconteceu na edição especial de maio de 2004, toda dedicada ao cristianismo ortodoxo. “A revista é feita para os árabes daqui, não do Oriente. Nada mais natural do que retratar a comunidade e seus eventos”. Micaela conta que a revista tem distribuição nacional, apenas para assinantes, independente da opção religiosa. A impressão que se tem é de que são revistas buscando integração. “A sociedade é aberta a quem quiser participar e conhecê-la”, diz Munir Awad.

Fonte: Faculdade Cásper Líbero 

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